faz um tempo…

por Cláudia Regina

Faz um tempo… uma perspectiva de olhar antigo onde cozinhar não era obrigação, mas uma forma de amar os outros, embaixo do pé de limão preparávamos os banquetes sem pressa a única convicção nossos preparos poderiam ser deliciados até por deuses. A mãe era convidada para ser júri, e o pé de limão se encarregava de ouvir o burburinhos, risinhos e o preparo de um cardápio esplendido. Penso, Adriana, que o pé de limão deve se manter no mesmo local na esperença de reviver os momentos mais doces que ele pode presenciar, de meninas que teriam a vida inteira para escolher, claro simplesmente ser feliz.

Faz um tempo… e que tempo bom nossas metas eram  saber qual cor da pilastra administrar, a cadeira que deviamos escolher e sentar-se de frente para um pomar generoso, o mais lindo que pudemos nos deleitar. Ah! e lá tinha canto de passárinho, cheiro de jambo, balanço e um caminho com flores tão delicadas.  Aguardávamos impacientes pelo natal e pelos presentes trazidos pelos nossos pais.

Faz um tempo… onde o poço de argila foi cenário para primeiro sentir e depois criar as peças eram prontamente elaboradas e por ali ficavam.  O que vem da natureza poderá encantar a própria natureza. Neste poço com tom de amarelo não tinha tempo, julgamentos, era tudo diversão.

Faz um tempo… em que eramos amigas da Lei da Gravidade, com absoluta certeza era a única hora de lazer que ela possuía. Foi em nossa companhia escalar telhados, avançar nos galhos mais fininhos para colher a fruta mais dificil, andar horas em muros, de altura que hoje tenho medo só de pensar. A gravidade nossa amiga de infância às vezes mandava algum recado, esfolões, arranhões, entre a amizade e a hierarquia existe uma linha tênue. Tudo terminou bem!

Faz um tempo… que estar na missa, conectar-se com o sagrado tinha cheiro de domingo, as pipocas mais saudáveis e menos calóricas que saboreamos estavam na janela da igreja.  Eita missa demorada. O anjo que me desculpe, mas torçia por um sermão mais curto, para aproveitar o melhor lado da igreja : o de fora.

Faz um tempo… minha irmã que compartilhamos momentos, atritos, alegrias, conflitos, brincadeiras, tempo de uma prosa longa com cheiro de café e pão de queijo que só tem aqui, nesse lugar provinciano que tenho orgulho – Pátria Minas.

Hoje, revisitei nosso passado e o compromisso de continuarmos unidas e permitir que a vida aconteça sempre com ou sem dimensão e que seu único tempo seja o PRESENTE.

Este texto foi um dos mais belos presentes que ganhei de minha irmã: Cláudia. Achei um gesto tão delicado e sincero que decidi colocá-lo em um lugar especial no blog.

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