do outro lado do atlântico: velocidade colher e muita história

Se fosse em 1822 o livro de Susana Gomes, Velocidade Colher: entre tachos e Bimby dificilmente chegaria ao Brasil. Nessa época, de acordo, com Laurentino, que por acaso tem o mesmo sobrenome de Susana, as comunicações entre Brasil e Portugal eram muito lentas. Uma viagem de Salvador a Lisboa demorava 65 dias. Do Rio de Janeiro, setenta dias.

Como estamos em 2012, o livro de Susana demorou poucos dias após o seu lançamento em dezembro do ano passado para atravessar o oceano nas malas de Helena e chegar as minhas mãos com uma dedicatória delicada mencionando que amizade partilhada à mesa torna-se ainda mais saborosa.

Não foi só o tempo de viagem que evoluiu durante esse período. Brasileiros e portugueses que hoje se encontram nas padarias de São Paulo, torcem juntos nos jogos do Vasco da Gama no Rio de Janeiro e compartilham receitas, informações e experiências através dos blogs de culinária nas duas margens do Atlântico não tinham noção do clima de rivalidade e confronto que envolveu esses dois povos no ano da Independência do Brasil.

Cenários e histórias desses dois países são descritas de maneira deliciosamente simples, por Laurentino Gomes, em seu livro 1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado.

Susana através de suas receitas também mostra muito de sua terra e não só pelos sabores e aromas através dos ingredientes, mas o seu livro vai além, revela um jeito de viver do outro lado do Atlântico.

Velocidade Colher é recheado com o cotidiano de Susana, refeições partilhadas com os amigos, família e com o seu amor. Frases sensacionais criadas por ela, tais como: ” Os sons das casa cheia, dos pratos empilhados, da música a soar pela sala. Estes são os sons da amizade.”  Registros de compras na feira e  passeios e brincadeiras com seu cachorro em um dia de sol dão formato ao livro e  nos mostrar que o lugar da gastronomia é nas relações, no dia-a-dia e no encontro com os nossos afetos.

O livro de Susana não tem uma divisão tradicional, as receitas são dispostas em capítulos que representam o seu estado de espírito em relação à comida e a suas memórias afetivas. Em cada página, ensina muito mais que suas receitas, oferece  lição de vida que merece ser repassada: “A natureza é quem manda”. Numa referência à importância de se respeitar a estação dos alimentos  e dar sempre preferência ao frescor, perfume e sabor que eles podem oferecer no seu tempo.

A identidade visual do livro é impecável, moderna e despojada traduz Susana em cada página.

No livro você encontra receitas na versão para Bimby, um robô encantado que faz maravilhas na cozinha e substitui vários equipamentos, mas que infelzmente não é muito comum nas terras Tupiniquins, pois o preço é exorbitante. A boa notícia é que todas as receitas como diz no título do livro também podem ser feitas nos tachos e está tudo explicadinho: tintim por tintim.

Para conhecer uma pouco mais sobre a história da independência do Brasil, recomendo: 1822, Laurentino Gomes

Para fazer receitas super práticas e deliciosas, recomendo: Velocidade Colher, Susana Gomes  e o blog No Soup For You

Uma parte das vendas do livro é revertida para a instituição Casa dos Rapazes, mais um motivo para prestigiar Velocidade Colher.

Na expectativa  que  livro de Susana possa ser encontrado facilmente em nossas terras e que a Bimby baixe de preço em nosso país . Também espero que nenhuma dessas duas coisas demore tanto como a viagem  entre Brasil e Portugal  em 1822 

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4 comentários sobre “do outro lado do atlântico: velocidade colher e muita história

  1. Que texto bonito e verdadeiro evocando a história de dois povos.
    Ainda há pouco fiquei pensando quanto tempo meu tio avô demorou a chegar aqui em 1910.E depois rumou a Nova Iorque.

    As novas tecnologias e o blogue trouxeram-me coisas muito boas, como conhecer pessoas e duas delas são você e a Susana 🙂

  2. Querida Adriana, a extensão deste oceano que nos separa vai-se esbatendo com a evolução do mundo. E que bom!
    Que bom que me aproxima de pessoas como tu e que nos permite partilhar vidas e olhares, permite-nos fazer do “aqui” uma coisa tão mais rica. :))
    Um grande beijinho. Obrigada pelas tuas palavras.

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