feito à mão

Eu e as minhas irmãs passávamos horas brincando com argila. Essa era uma das nossas brincadeiras preferidas.
Naquele tempo não sabíamos, mas lidar como argila é como se relacionar. É preciso dedicação. A massa tem a hora e o tempo dela.
Quando a argila está ressecada, é necessário acrescentar um pouco de água, começar a sová-la para que fique uniforme. Se o tempo dela não for respeitado, ela até aceita ser modelada, mas ao secar demonstra sua insatisfação através de várias trincas. Não adianta remendar. É serviço jogado no chão.
Ao longo do tempo, a gente vai criando intimidade com o barro e percebendo ponto ideal para começar o ofício. As pontas dos dedos em contato com a massa branca é que nos direcionava para a melhor forma de ir manejando a argila.
No contato com o outro também precisamos aprender a hidratar a relação com atitudes que possam transformá-la em algo gostoso de mexer, trabalhar, manusear.
Foi criando panelinhas, mesas, sofás, poltronas e bonecas de barro é que aprendi um dos maiores ensinamentos que uma brincadeira lúdica pode oferecer: para se relacionar é preciso dedicação, investimento.
Busco resgatar no passado o aprendizado que aconteceu lindamente entre irmãs e inspira o que desejo cultivar nas minhas relações do presente.

Para minha amiga e irmã de caminhada, Marcilene , que acredita na amizade e em tudo que é feito à mão.

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5 comentários sobre “feito à mão

  1. Oi querida irmã!
    Simplesmente amei. Sabes que amo você, não é?
    Amo tudo que é feito a mão e tudo que tem esse coração lindo como você tem.
    Bjos. Marcilene.

  2. Dri, fico impressionada como vc me lembra minha infância! Também brincava de argila com minhas irmãs e primas no sítio do meu pai e, como um mistério, ficávamos esperando ansiosas para ver se a peça iria secar firme ou se desmancharia… Naquela época não havia entendimento, mas agora lendo seu texto refaço o aprendizado de tantos anos… Lindo!

  3. Lu, somos formadas do Barro de Minas. Na verdade acho que cotidiano é coisa de todo lugar. Mudam as pessoas, mas as relações, as sensações são similares. As experiências transcendem. Isso nos faz lembrar que no fundo no fundo vivemos uma irmandade e que na maioria das vezes não nos damos conta, não é mesmo?
    Beijos, Adriana.

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