as cidades invisíveis

Alimentada e confiante, rumei em direção noroeste, queria chegar em Lanzhou, antes do final da tarde para atravessar o Rio Amarelo. Consegui, não só essa meta, como alcancei Zobeide, onde resolvi pernoitar.
No outro dia cedo, encontrei vários monges, milhares deles. Pareciam andar em pencas.  Viviam em casinhas, protegidas por uma cordilheira e baixas montanhas. Uma grande quantidade de peregrinos chegava a todo instante.  A paisagem era formada por velhos, crianças e  monges com suas roupas vermelho escuro, que se confundiam entre as construções e os templos.
Havia um clima denso de religiosidade na cidade, era possível cortá-lo, e colocar em uma bolsa para entregar em pedaços aos mais céticos, até esses se curvariam diante da fé que imanava daquele lugar.
Dei cento e oito voltas, no sentido horário,  em torno de cento e oito rodas de oração dispostas pelas cidade. Fiz esse ato de coração aberto, seguindo o gesto de todos que estavam no lugar. Murmurei um mantra entonado pelos monges. Saí de lá com os ouvidos torneados, a alma aparada e o espiríto lapidado.

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