ponto a ponto

Qual foi a última vez que fez uma coisa pela primeira vez?
Depois de mais de trinta anos, eu aprendi costurar. Dizem que a gente aprende pelo amor ou pela dor. Sempre acreditei que  preteria a primeira opção.

Começei a refletir sobre aprendizados que acumulei durante a vida. Ao fechar os olhos, a imagem de um pudim de leite invadiu minha mente. Conseguir juntar alguns ingredientes e preparar uma calda de caramelo no ponto ideal, foi uma conquista. Era como alcançar um lugar, antes distante. A mestra que me ensinou a arte do pudim sem furinhos foi minha mãe.

Recordei a primeira vez que andei de bicicleta. Geovana estava lá, segurando a bicicleta para que eu montasse, sem medo. Pedalar sem perder o equilíbrio, sentindo o vento batendo no rosto, me fez orgulhosa de aprender alguma coisa que não se esquece jamais.

Lembrei de quando aprendi a ler e escrever, surpreendentemente fui remetida aos meus primeiros anos de faculdade e não ao pré-primário. Só na graduação consegui verdadeiramente me dedicar com atenção a um livro e produzir com minhas próprias palavras um texto. Investida na minha trajetória tardia ao mundo intelectual estava Rosélia. As correções com amor resultaram na descoberta que há sabor nas letras.

Veio à memória meus primeiros passos profissionais. Aqui, também, tive a oportunidade de descobrir que mesmo após trabalhar muito e se aposentar é possível vibrar com o trabalho. Disposto a ensinar, participar e compartilhar conhecimentos técnicos e de vida estava Furtado.

Sempre tive comigo que se apoderar de uma nova habilidade era custoso, associado à dor. Ao revirar essas recordações, notei que todos os meus aprendizados estavam ligados afetivamente a uma pessoa. Descobri que só aprendo por amor. Em retribuição,  vou costurar à mão, usar linhas coloridas, espalhar flores de retalhos de algodão estampadinho em matizes de Frida Kahlo aos meus afetos.

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Um comentário sobre “ponto a ponto

  1. Sempre quis costurar para fazer aquelas roupas que nunca encontro, mas ainda não tive coragem como você.
    Quem sabe um dia… eu também faça isso, pela primeira vez.
    bj, ELi (comiporai.com)

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