abril 6, 2012

goiabada com cheiro de saudade

ingredientes

1kg de goiaba vermelha
200g de açúcar mascavo
150ml de água
150ml de sumo de tangerina

jeito de fazer

  • Lave as goiabas, elimine as extremidades e descasque. Pique as goiabas e coloque no copo do liquidificador com 150ml de sumo de tangerina. Bata por 1 minuto e despeje em uma peneira grossa. Reserve.
  • Disponha em uma panela o açúcar com 150ml de água. Cozinhe, sem parar de mexer, até o açúcar dissolver e começar a ferver.
  • Junte a polpa da goiaba. Continue a cozinhar, sem parar de mexer, por volta de 1 hora.
  • Quando a goiabada começar a soltar do fundo da panela e parar de espirrar, retire do fogo.

A goiabada é um doce típico da comida caipira e consumido em quase todo o mundo. A goiabada surgiu no Brasil quando a goiaba foi usada pelos colonos portugueses como substituto para confeccionar a marmelada. Saiba mais

Meu pai, sempre gostou de comida simples, feita em casa, tipicamente caipira e ao preparar essa receita lembrei muito dele.

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abril 6, 2012

no dia 07 de abril…

Alô, alô Realengo, aquele abraço… O Bairro Realengo na periferia do Rio de Janeiro sempre foi conhecido por abrigar grandes instituições militares do exército, mas ficou realmente conhecido nacionalmente pelo trecho da música Aquele Abraço, composta por Gilberto Gil em referência ao tempo que ficou na prisão militar no bairro na época da Ditadura Militar.
Na manhã de 7 de abril de 2011, o Bairro ganhou repercussão internacional quando Wellington Menezes abriu fogo de maneira indiscriminada contra crianças em uma escola que havia estudado há alguns anos.
Eu tomava café nessa manhã e escutava, de maneira perplexa, os jornais noticiarem a tragédia. Pensei na dor daqueles pais e no sofrimento que eu também estava sentido pela possibilidade de perder o meu pai que estava na U.T.I
A última vez que conversei com o meu pai foi por telefone, quando ele já estava internado. Quando cheguei ao hospital ele já estava desacordado e respirando através de aparelhos. Durante toda a semana fui visitá-lo e o seu quadro continuava inalterado, sem melhoras. Um bom sinal, de acordo com os médicos: – não piorar já é um passo, quando a saúde está muito debilitada – eles informavam dia após dia.
Recebi o mesmo boletim médico antes da visita e fui ao seu encontro. Diferentemente dos outros dias, em que ele estava totalmente sedado, naquele momento estava muito agitado. A sensação era que estava tendo um pesadelo forte, debatia-se, não conseguia acordar.
Sem saber lidar com aquela situação, fui atrás de ajuda. Fui informada que haviam diminuído a sedação para que ele fosse reagindo aos poucos e que provavelmente estava incomodado com todos os equipamentos e por isso o desconforto.
A agonia dele não diminuía e minha angústia de vê-lo daquela forma, amarrado, mesmo sabendo que era para não se machucar, crescia na mesma proporção. Os médicos aumentaram a dosagem de sedação e aos poucos ele foi se acalmando.
Em determinado momento, ele voltou a se agitar e novamente pedi ajuda. O som cadenciado dos aparelhos foi diminuindo, o batimento cardíaco sinalizado na tela começou a cair gradativamente. A enfermeira que estava comigo disse para eu ficar tranquila, pois como ele estava muito agitado havia saído um encaixe de um dos equipamentos de monitoração.
O relógio marcava quase 12:00 h, horário que encerraria a visita. Neste dia, ninguém veio avisar que já estava na hora de ir embora. Eu fiquei ali olhando a enfermeira recolocando os aparelhos de medição de maneira tranquila e fui me sentido mais aliviada por ele ter se tranquilizado novamente. De repente, me deparei com o olhar do meu pai, um olhar vazio. Imediatamente falei: – Ele está com os olhos abertos.
Wellington matou 12 crianças, eu escutava na TV enquanto aguardava o retorno dos médicos sobre o estado do meu pai. Um policial militar conseguiu acertar o atirador que, logo depois de ferido, se suicidou. O sargento Alves fez com que a tragédia não tomasse uma proporção ainda maior.
Fiquei ali escutando todos os detalhes sobre o caso , a ação heroica do sargento, os nomes das crianças assassinadas, o desespero dos parentes e amigos. Comecei a pensar no fato, do meu pai ter o mesmo sobre nome do sargento – Alves, e os dois estavam, nesse mesmo dia, travando uma batalha para preservar da vida, cada um à sua maneira.
Os médicos entraram apressados e pediram para que eu saísse do quarto, fui informada que ele estava sofrendo uma parada cardíaca e que fariam os procedimentos de reanimação. Pediram para que eu aguardasse e voltasse daí algum tempo. Antes de sair, disseram: Fique tranquila ele está vivo e está sendo atendido, o quadro é delicado, mas por enquanto está tudo bem. – O olhar dele não estava mais aqui, estava vazio – respondi.
Quando retornei, recebi a confirmação sobre o que já sabia.

Um ano após esses acontecimentos a vida renasce e é transformada , diariamente, apesar da perda…

abril 2, 2012

ambrosia com toque de limão siciliano


serve 06 pessoas nada formigas

ingredientes

1 lata de Leite Condensado Moça
½ litro de leite
4 ovos
casca de 1 limão siciliano

jeito de fazer

  • Leve ao fogo o leite moça com o leite. Deixe ferver em panela com fundo largo.
  • Bata as claras em neve. Acrescente as gemas uma a uma, passando-as por uma peneira fina. Continue batendo até que fique bem leve.
  • Vá colocando porções no leite fervendo(mantenha o fogo ligado no nível médio-baixo). À medida que o ovo cozinha vá retirando e colocando numa tigela.
  • Repita a operação até o ovo terminar.
  • Ao final, despeje o leite sobre os ovos e salpique raspinhas de limão siciliano. Sirva gelada.

Receita da sogra da Marci para presentear as Madalenas tão simpáticas conosco enquanto tricotávamos pelo Jardins.

abril 2, 2012

tricotando entre novelos, amizade e madalenas

Uma amizade de verdade é tecida ao longo do tempo. Um tempo que não é contado em dias, mas, sim, em pontos – feitos um a um. Pontos que unidos resultam em uma trama de afeto, sustentada pelo compartilhamento.
Compartilhamento supõe uma relação de confiança. Confiança é o que toda relação de verdade precisa. Sem esse pilar não é possível tecer um relacionamento.
Em uma visita no Novelaria Knit Café, a convite da Marci, fiquei pensando na simbologia que o tricotar traz à tona, quando se pensa no relacionar como um processo de construção.
Antigamente, as mulheres se reuniam para tricotar, bordar e fazer rendas, mas na verdade o produto que saia dessas reuniões ia muito além da produção de uma blusa ou um forro de mesa, era a vivência que ia sendo construída na medida em que dividiam experiências e saberes.
A essência da palavra confiar vem justamente desse trabalho, ou seja, fiar junto, con-fiar . Fiando através da linha e da agulha é possível criar uma trama que envolve o cuidado com os pontos e aos poucos começa a surgir uma peça que é muito maior que o produto: a conversa, o dividir, o crescer junto.
Nessa tarde, enquanto eu e Marci, batíamos pernas entre novelos, cafés, saudades, risos, madalenas, livros e champagne nos demos conta que tecemos uma grande trama, ponto a ponto: nossa amizade e  a peça  tá ficando linda…

Vale a pena conhecer com um amigo de verdade:

Novelaria Knit Café

Madalenas 

Formas de celebrar o nascimento

março 25, 2012

bolo de amoras e mirtilos

serve 10 pessoas nada gulosas

ingredientes

110g de açúcar refinado
80g de manteiga sem sal
3 ovos caipira
150g de farinha de trigo
110g de amêndoa moída sem casca
1 colher de chá de açúcar baunilhado
3 colheres de sopa de rum
2 colheres de chá de fermento em pó
150g de amoras congeladas
100g de mirtilos congelados

jeito de fazer

  • Bata a manteiga com o açúcar e o açúcar baunilhado, até obter um creme fofo. Junte os ovos um a um, bata vigorosamente. Aos poucos, adicione a farinha e as amêndoas, misture até ficar uma massa homogênea. Em seguida, acrescente o rum e misture.
  • Coloque a massa em uma forma untada e esfarinhada, alise a superfície e  junte as amoras e os mirtilos.
  • Leve ao forno pré-aquecido, 180° C, por 35 minutos, ou até que enfie o palito e ele saia limpo.
  •  Retirar do forno, deixar esfriar antes de desenformar.
  • Depois de frio polvilhe com açúcar de confeiteiro e canela em pó.

Essa receita foi inspirada no Bolo de Amêndoas e Frutos Silvestres de Andreia, do Baunilha e Caramelo. Essa moça que faz coisas lindas e saborosas lá do outro lado do Atlântico. 

março 25, 2012

um barco

Um barco que nunca se afasta,
mas nunca está presente.
Missão de barco é viajar.
É guiado pelo vento.
Quer porto seguro.
É porto seguro.
Sempre deixa saudade.
Ao chegar traz sorrisos, vida e novidades.
Meu peito é tristeza ao vê-lo partir.
Vivo de sofrimento fino
que faz coração apertar.
Missão de barco é viajar.
Então, vá.
Sinta o sol,
a imensidão,
a brisa,
a chuva
e todo azul que precisar.
Fico aqui pra te esperar.
Só que os ventos fazem o giramar mudar.
E tudo fica diferente.
O sofrimento fino aumenta,
a distância é grande,
e a chegada muito demorada.
Não vou mais esperar.
O barco quer me levar.
Não vou.
Missão de barco é viajar.

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março 18, 2012

arroz de carreteiro para comemorar

serve 4 pessoas nada gulosas

ingredientes

1 xícara de arroz cru
um fio óleo de canola
400ml de água
150g de carne seca
150g de linguiça tipo portuguesa Kassel
50g de bacon
1 cebola ralada
1 tomate picado sem sementes
2 colheres de sopa de conhaque à base de gengibre
cheiro verde

jeito de fazer

  • Em uma vasilha, coloque a carne seca de molho para desalagar, com 24 horas de antecedência. Troque a água pelo menos duas vezes.
  • Cozinhe a carne seca por pelo menos 20 minutos e depois desfie. Reserve.
  • Pique a linguiça e  o bacon em cubos. Leve para fritar. Retire toda a gordura, coloque em cima de um papel absorvente e reserve.
  • Coloque 400ml de água para ferver, enquanto prepara o arroz.
  • Coloque um fio de óleo de canola em uma panela e torre o arroz. Quando estiver soltando facilmente da colher, acrescente a cebola , mexa delicadamente até que a cebola fique transparente.
  • Acrescente a carne seca e deixe refogar por 1 ou 2 minutos, acrescente a linguiça, o tomate e as duas colheres do conhaque e refogue por pelo menos 2 minutos ou até que perceba que o conhaque evaporou.
  • Acrescente a metade da água e deixe secar  em fogo médio. Quando estiver quase seco,  desligue e espere 10 minutos.
  • Ligue novamente o fogo e acrescente o restante da água e espere secar.
  • Verifique se há necessidade de acertar o sal, pois todas as carnes já são temperadas.
  • Acrescente por último o bacon para que não perca a crocância.
  • Salpique cheiro verde fresco e sirva acompanhado com uma salada  leve.

O arroz carreteiro é um prato tipico do Brasil e tem sua origem ligada ao Rio Grande do Sul, onde os tropeiros transitavam longas distâncias com o gado de um lado para o outro. O carreteiro era responsável por transportar os ingredientes da comitiva dos tropeiros e também por  preparar a comida. Havia sempre preferência por ingredientes pouco perecíveis e o charque (carne seca) era um desses ingredientes que suportava longas distâncias sem estragar. O carreteiro, muitas vezes usava a água dos rios para tirar o sal da carne, preparava o arroz e acrescentava a carne seca desfiada. Os tropeiros adoravam, pois além de saboroso é um prato forte para repor as energias. Saiba mais…

Esse prato foi preparado para comemorar o primeiro aniversário do blog, da minha querida Mané, O Bolo da Tia Rosa. Como homenagem usei  linguiça tipo portuguesa para deixar esse prato com sabor lá de suas terras

março 18, 2012

cada lugar um sabor, cada sabor uma história

Lívia pediu para que eu comprasse ovos no Vilarejo, precisaria de duas dúzias para o preparo de Papos-de-anjo. Fui com satisfação. Adoro esse doce, mesmo antes de prová-lo já gostava. Apaixonei-me pelo nome.
Ela me contou que entre os séculos XVIII e XIX Portugal era o principal produtor de ovos da Europa, a maior parte da produção tinha um destino: fornecer clara para sua utilização na atividade manufatureira. A clara era usada como purificador na fabricação de vinho branco e ainda, ou melhor, principalmente, para engomar os ternos dos elegantes nas principais cidades do mundo ocidental, bem como os hábitos das freiras. As gemas eram descartadas, motivo que incentivou as cozinheiras e freiras efetuarem experimentos doceiros à base de gemas de ovos. Conseguiram. Vários doces conventuais portugueses ultrapassam a barreira dos séculos.
Hoje vou refestelar com o sabor suave dos Papos-de-anjo, que só a Joana, cozinheira e amiga de tantos anos da Lívia, que nunca foi freira e nem foi a Portugal, consegue preparar.
Seguindo as instruções de Lívia, fui até a casa da Esmeralda do Sílvio na busca de ovos. Relatam que o Sílvio, seu marido trabalha em outra cidade e não retorna para casa há anos. As doninhas do Vilarejo fuxicam que na verdade ele abandonou a família. Joana disse que mesmo não vendo o tal do Sílvio há anos, a mulher tem que conviver diariamente com a lembrança do infeliz que a abandonou com duas crianças pequenas. Não adianta dizer que prefere ser chamada apenas de Esmeralda. O povo insiste em chamá-la desta maneira, então mesmo sem o Sílvio ela será a Esmeralda do Sílvio eternamente.
Encontrei a casa sem dificuldade. Não é complicado encontrar um endereço em um lugar tão pequeno. Na medida em que passava pelas ruelas tinha o sentimento que olhar das pessoas estavam grudados em mim. – Devo ser uma criatura estranha para essas pessoas, tão acostumadas com gente apenas da região. Levei uma cesta para colocar os ovos e no fundo coloquei caixa de cartas. Queria ficar perto delas, mesmo que não fosse ler.
Bati palmas, chamei e ninguém apareceu na porta. Sentei em um banquinho bem na porta da casa e resolvi esperar um pouco, talvez a Esmeralda do Sílvio tivesse saído, se eu voltasse para casa iria perder a viagem e mais , ficaria sem os Papos-de-anjo.
Resolvi abrir a caixa e pegar uma carta para ler…

Hoje me refastelei  com uma dessas delícias de origem portuguesa: Ambrosia – receita carinhosamente passada por minha amiga Marcilene e que vou dividir daqui alguns dias.

março 9, 2012

frango cremoso

serve 4 pessoas nada gulosas

ingredientes

250g de peito de frango em cubinhos
1/2 colher de chá de açafrão
uma pitada de páprica
1 pitada de alho batido
sal a gosto
150ml de leite desnatado
1 colher de sopa de farinha de trigo
200g de creme de leite
1/2 cebola ralada
óleo de canola
1 espiga de milho cozida sem sal
80g de champion fatiado.
manjericão até o cheiro te conquistar

jeito de fazer

  • Em uma vasilha, tempere o  frango com sal, alho, açafrão e páprica.
  • Retire o milho da espiga e reserve.
  • Coloque um fio de óleo em uma panela e quando estiver quente despeje o frango. Deixe no fogo médio, mexendo algumas vezes, até ficar com um dourado bonito. Acrescente a cebola ralada.
  • Em um copo misture o leite com a farinha e quando a cebola estiver com aspecto transparente, adicione a mistura do leite.
  • Mexa delicadamente, mas de maneira constante, até o molho engrossar.
  • Em fogo baixo, adicione o creme de leite e o milho, sem parar de mexer, até que caldo fique encorpado e antes de ferver junte os champion. Tempere com sal.
  • Retire do fogo e acrescente o manjericão picadinho.
  • Enfeite com pimenta em grão e coloque um flor vermelha no cabelo.
  • Sirva ao seu amor, ele vai te achar linda.
março 9, 2012

fragmentos

Olho no espelho. Não gosto do que vejo. Esse espelho está velho, a moldura descascada denuncia que deve ter pelo menos uma década. Talvez, não seja o espelho, acho que o problema seja eu mesma.
O cabelo liso, escorrido, que nunca passa da altura dos ombros. Parece um pesadelo. Queria muito ter cabelos encaracolados, na cintura, com cachos largos. Essa boca não é minha, não combina com o resto do rosto, pequena demais. Será que é bom ter boca grande? Também queria ter uma boca grande. Na verdade, queria ter tudo diferente.
A única coisa que gosto é do meu nariz. Minha mãe diz que é de gente atrevida. Não sei o porquê, mas dele eu gosto. Todo o resto eu trocaria, essas pernas compridas, finas, as mãos enormes, esse corpo de gente espigada. Tudo eu trocaria, mas o nariz eu deixaria, dele eu gosto.
As pessoas sempre dizem que sou muito crítica e conseqüentemente muito exigente. Falam que sou linda e que o importante é considerar o conjunto, pois a beleza é a associação de muitos fatores.
Nunca consegui ver esse conjunto. Percebo minhas mãos e meu rosto oval. Cada coisa em seu lugar, separadamente, não gosto.

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