fevereiro 23, 2012

frozen de manga com raspas de chocolate

serve 2 pessoas nada gulosas com muito calor

ingredientes

1 manga grande – 300g
1/2 copo de iogurte natural – 100g
2 colheres de sopa de mel de flor de canola
20g de chocolate meio amargo para polvilhar

jeito de fazer

  • Descasque e corte a manga em cubos.
  • No liquidificador, bata a manga, o iogurte e o mel até formar um creme homogêneo.
  • Em uma vasilha,  leve ao freezer por 1 hora.
  • Coloque o creme em um prato fundo para sobremesa ou  em taças individuais.
  • Polvilhe o chocolate meio amargo para decorar.

Esse frozen tem a consistência de um creme aveludado. É super leve , uma escolha para nos refrescar nesse verão.

Minha versão do Frozen do Chef Eric Thomas. Ele sugere usar outras frutas para variar a receita,  como goiaba, uva, morango, amora.

fevereiro 23, 2012

escolha

- É simples, mas o quintal é maravilhoso. Vamos morar aqui!
Foi assim que a minha mãe cumpriu a missão que lhe foi destinada. Escolher a casa que iríamos viver.
No quintal, pé de manga, mexerica, goiaba, laranja e jambo cresciam frondosos, em harmonia, servindo em alguns momentos de palco para brincadeiras em outros como rota de fuga de temidas chineladas.
A casa tinha um alpendre apoiado por três estruturas: uma verde, a outra azul e por último a vermelha.Tons que, eu e minhas irmãs, adotamos como prediletos. Cabendo a cada uma delas uma cor. Vasculantes entreabertos levavam olhares curiosos dos vizinhos da direita a nossa cozinha. Nesta parte não havia muro, a própria parede da casa é que separava nossos quintais. Foi assim por muito tempo.
Mais tarde, houve mudanças, ganhamos mais um quarto, uma sala e área usada para lavar roupas foi fechada, sendo transformada na cozinha e a antiga deu lugar a uma copa.
Uma outra novidade foi a construção da garagem. O terreno ficava abaixo do nível da rua e ela foi projetada para que abrigasse o carro na parte superior e na parte de baixo as tralhas da casa: um porão. A parte de cima nunca foi terminada, o que se transformou na tormenta da minha mãe.
Quando o portão era aberto pelo meu pai para guardar o carro, um silêncio imperava na casa. Bastavam poucos segundos para identificar se ele estava bêbado.
Jeito quieto, franzino, olhar severo. Transformava-se. Chegava falante, tinha um tique nervoso. Piscava incessantemente. Repetia o mesmo caso duas, três, quarto, cinco vezes ou até a exaustão.
Ficávamos alí, mãe e filhas, escutando, numa apreensão sem fim. A qualquer momento um olhar, uma resposta que não foi dada, qualquer coisa poderia desencadear o caos. A mais velha pensava que tinha obrigação de fazer com que tudo terminasse bem. Que ele fosse acometido pelo sono e descansasse ali mesmo no sofá.
- Pai, quer um copo de leite? Posso tirar seus sapatos?
Tudo na tentativa de agradá-lo. Talvez assim, ele não ficasse bravo.
- Leuse, por que você joga as meninas contra mim? O pai gosta d’ôces filhas, quero mal de ninguém não – dizia, mostrando dúvidas ao ver que uma discussão havia sido iniciada.
Dormia um sono pesado. A gente escutava o ronco de longe.
No outro dia, poucas palavras. Em seu olhar, vergonha, e no nosso reprovação.
Um dia vi a mãe pensativa, perguntei o que era. Ela respondeu:
- Pensá que escolhi a casa por conta das árvores de frutas. Não imaginava que dava tanto trabalho. Cai muita folha no chão.

fevereiro 20, 2012

frango espiritual, uma inspiração!

serve 4 pessoas gulosas

ingredientes

400g de batata Asterix descascada e cortada em cubos

200g de cenoura descascada e cortada em pedaços

Leite quanto baste

Sal quanto baste

Pimenta moída na hora

Nóz-moscada quanto baste

1 cebola

2 dentes de alho

25g de azeite

400g de peito de frango em cubinhos

100g de milho verde

120g de pão

Maionese quanto baste

Queijo ralado quanto baste

jeito de fazer

  • Cozinhe as batatas e a cenoura em água fervente até que fiquem macias, escorra bem e faça um puré. Leve de novo ao fogo baixo, e vá acrescentado o leite até obter um purê cremoso e consitente. Tempere com sal, pimenta e noz-moscada e mexa bem para envolver. Reserve.
  • Pré-aqueça o forno a 180 o C.
  • Pique a cebola e o alho e refogue levemente em azeite, até a cebola quebrar.
  • Acrescente o peito de frango em cubinhos e deixe até ficar dourado.
  • Junte o milho verde .
  • Embeba o pão em leite quente, e coloque na panela e mexa até envolvê-lo bem.
  • Junte o puré reservado, mexendo vigorosamente, até que tudo fique homogêneo.
  • Coloque em um tabuleiro ou em ramequins individuais, cubra com uma camada fina de maionese, polvilhe com queijo e leve ao forno, durante 30 minutos.
  • Acompanhe com cebola caramelizada com laranja.
  • É para comer rezando!

Cebola caramelizada em homenagem à Susana Gomes que adora receitas que levam essa fruta:

Leve duas cebolas em rodelas à panela com um pouco de manteiga até que comece a ficar transparente. Adicione duas colheres de sopa de sumo de laranja. Mexa delicadamente até que fique com um dourado bonito, caramelizado.

“Sai o bacalhau, entra a carne e faz-se de uma receita tradicional um tabuleiro cheio. Se de norte a sul as receitas típicas ganham a mão de quem lhes pega, eu lanço as minhas às que gosto e alimento os amigos.” Susana Gomes 

A Carne Espiritual de Susana nas minhas mãos virou Frango Espiritual e no lugar dos cogumelos lancei o milho. O restante da receita é igual e vale a pena conferir em Velocidade Colher: entre tachos e Bimby

fevereiro 20, 2012

do outro lado do atlântico: velocidade colher e muita história

Se fosse em 1822 o livro de Susana Gomes, Velocidade Colher: entre tachos e Bimby dificilmente chegaria ao Brasil. Nessa época, de acordo, com Laurentino, que por acaso tem o mesmo sobrenome de Susana, as comunicações entre Brasil e Portugal eram muito lentas. Uma viagem de Salvador a Lisboa demorava 65 dias. Do Rio de Janeiro, setenta dias.

Como estamos em 2012, o livro de Susana demorou poucos dias após o seu lançamento em dezembro do ano passado para atravessar o oceano nas malas de Helena e chegar as minhas mãos com uma dedicatória delicada mencionando que amizade partilhada à mesa torna-se ainda mais saborosa.

Não foi só o tempo de viagem que evoluiu durante esse período. Brasileiros e portugueses que hoje se encontram nas padarias de São Paulo, torcem juntos nos jogos do Vasco da Gama no Rio de Janeiro e compartilham receitas, informações e experiências através dos blogs de culinária nas duas margens do Atlântico não tinham noção do clima de rivalidade e confronto que envolveu esses dois povos no ano da Independência do Brasil.

Cenários e histórias desses dois países são descritas de maneira deliciosamente simples, por Laurentino Gomes, em seu livro 1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado.

Susana através de suas receitas também mostra muito de sua terra e não só pelos sabores e aromas através dos ingredientes, mas o seu livro vai além, revela um jeito de viver do outro lado do Atlântico.

Velocidade Colher é recheado com o cotidiano de Susana, refeições partilhadas com os amigos, família e com o seu amor. Frases sensacionais criadas por ela, tais como: ” Os sons das casa cheia, dos pratos empilhados, da música a soar pela sala. Estes são os sons da amizade.”  Registros de compras na feira e  passeios e brincadeiras com seu cachorro em um dia de sol dão formato ao livro e  nos mostrar que o lugar da gastronomia é nas relações, no dia-a-dia e no encontro com os nossos afetos.

O livro de Susana não tem uma divisão tradicional, as receitas são dispostas em capítulos que representam o seu estado de espírito em relação à comida e a suas memórias afetivas. Em cada página, ensina muito mais que suas receitas, oferece  lição de vida que merece ser repassada: “A natureza é quem manda”. Numa referência à importância de se respeitar a estação dos alimentos  e dar sempre preferência ao frescor, perfume e sabor que eles podem oferecer no seu tempo.

A identidade visual do livro é impecável, moderna e despojada traduz Susana em cada página.

No livro você encontra receitas na versão para Bimby, um robô encantado que faz maravilhas na cozinha e substitui vários equipamentos, mas que infelzmente não é muito comum nas terras Tupiniquins, pois o preço é exorbitante. A boa notícia é que todas as receitas como diz no título do livro também podem ser feitas nos tachos e está tudo explicadinho: tintim por tintim.

Para conhecer uma pouco mais sobre a história da independência do Brasil, recomendo: 1822, Laurentino Gomes

Para fazer receitas super práticas e deliciosas, recomendo: Velocidade Colher, Susana Gomes  e o blog No Soup For You

Uma parte das vendas do livro é revertida para a instituição Casa dos Rapazes, mais um motivo para prestigiar Velocidade Colher.

Na expectativa  que  livro de Susana possa ser encontrado facilmente em nossas terras e que a Bimby baixe de preço em nosso país . Também espero que nenhuma dessas duas coisas demore tanto como a viagem  entre Brasil e Portugal  em 1822 

fevereiro 13, 2012

bolo de iogurte, mel de canola e granola

serve 4 pessoas abelhas

ingredientes

massa
250g de bolo de iogurte, simplesmente delicioso

calda
50ml de água filtrada
2 colheres de sopa de mel de canola
1 colher de sopa rum

creme de iogurte
2 copos de iogurte natural com mel Nestlé
1 colher de chá de gelatina em pó sem sabor

ganache
200g de creme de leite
170g de chocolate meio amargo

granola para enfeitar

jeito de fazer

    • Retire a casca e o fundo do bolo, utilizando apenas o miolo esfarelado.
    • Prepare a calda: em um copo, misture a água filtrada, o mel e o rum.
    • Umedeça o bolo com a calda.
    • Coloque essa massa umedecida em 4 aros pequenos para bolo, apertando levemente para que a massa fique uniforme, mas cuide para não apertar muito para não ficar muito compacta.
    • Hidrate a gelatina, conforme as instruções da embalagem. Em uma vasilha, despeje o iogurte natural e adicione a gelatina. Misture até formar um creme homogêneo.
    • Despeje o iogurte em cima da massa de bolo. Leve a geladeira até endurecer, por volta de 2 horas.
    • Após o iogurte endurecer, prepare a ganache. Em uma vasilha leve o creme de leite ao fogo até ficar quente, mas sem deixar ferver. Retire do fogo.
    • Junte chocolate picado com o creme de leite e misture delicadamente até formar uma creme homogêneo. Espere esfriar.
    • Despeje a ganache em cima do creme de iogurte.
    • Deixe na geladeira até ficar firme, decore com granola e sirva na sequência.

As abelhas vão buscar o néctar nas flores de canola para produzir esse mel de sabor levemente cítrico. Além do sabor delicioso, faz muito bem à saúde: previne as doenças do coração, preserva as artérias, ajuda a aliviar a artrite, fortalece o sistema imunológico e estimula a produção de defesas anti-inflamatórias e analgésicas.

Mais uma descoberta nos últimos tempos: Empório do Mel além do mel de canola, tem outros tipos de méis, como de flor de café, flor de uva japão e flor de laranjeira.

fevereiro 13, 2012

macacos me mordam

foto: Helena Almeida

São Sebastião das Águas Claras, esse vilarejo também atende pelo nome de Macacos. O lugar fica cravado entre as montanhas de Minas, apenas 25 km de Belo Horizonte, cheio de restaurantes e pousadas charmosas. Durante a semana perde o frisson , mas ganha um clima interiorano: galinhas no meio da rua, música caipira, mulheres na beira das janelas e senhores com chapéu na cabeça personagens que imperam nesse arraial.

Foi exatamente em um desses dias que fui à cidade atrás de uma iguaria, aclamada por minha irmã como a melhor bala delícia do mundo. Cheguei descrente que as balas pudessem me conquistar, saí de lá encantada.

As balas delícias são feitas pelo Carlos e tive oportunidade de vê-lo preparando a receita. Tudo feito de maneira artesanal. Era bonito ver a bala sendo puxada pelas mãos e ganhar brilho em um ritual de transformação. De formato irregular e textura incrivelmente macia, a bala fascina na primeira mordida. Seu recheio de tão suave e cremoso chega a derreter na boca. E são muitos: chocolate, damasco, coco, limão para mencionar apenas alguns. Para encontrar o Carlos e suas balas é só perguntar a qualquer morador, que gentilmente o caminho da casa dele será indicado.

Outra descoberta foi o Instituto Kairós que através de várias iniciativas e uma delas com o significativo nome de Tecendo o Próprio Futuro, incentiva o desenvolvimento da comunidade de Macacos através da economia solidária e do comércio de produtos artesanais elaborados pelos próprios moradores da região.

A loja que fica bem na rua principal da cidade encanta pelos produtos extremamente bem produzidos e bem cuidados, mas também pela harmonia, atendimento impecável e identidade visual. Kayrós em grego é o tempo dos deuses.

Na loja, onde os produtos são expostos há referências à poesia, amor, coragem, respeito, cultura, esperanças e muitas outras coisas essenciais à vida e ao coração. Há também um espaço que comporta uma biblioteca e uma sala de cinema para atender os moradores e a região. As sessões são gratuitas, além de eventos como um sarau que acontece embaixo de uma jabuticabeira.

Uma iniciativa que além de promover capacitação, possibilita o desenvolvimento das pessoas em relação à vida profissional, consciência ambiental, cultural e social através de uma relação de confiança e compartilhamento de saberes e fazeres.

Conheça Macacos

Instituto Kayrós 

Foto feita gentilmente por Helena do blog Sabores de Canela. Essa moça que faz coisas lindas para os olhos e para o coração.

fevereiro 9, 2012

torta de morango e chocolate

serve 6 pessoas gulosas

ingredientes

massa
1 xícara de farinha de trigo
1/3 da xícara de manteiga sem sal gelada
2 colheres de sopa de água gelada

geleia de morango
200g de morangos bem cheirosos
100g de pasta de morango
2 colheres de sopa de laranja
50g de açúcar
15g de pectina

ganache de chocolate ao leite
200g de chocolate ao leite
200g de creme de leite fresco
2 colheres de sopa de licor de chocolate

jeito de fazer

massa

  • Junte a farinha e a manteiga em cubinhos. Misture com as mãos até obter uma farofa. Acrescente a água e amasse.
  • Forme uma bola. Abra a massa sobre uma superfície esfarinhada até ficar bem fina. Forre com ela uma forma com fundo removível de 25 cm de diâmetro. Apare a borda, cubra com filme plástico e deixe na geladeira por 30 minutos.
  • Aqueça o forno em temperatura baixa, 200º C.
  • Com um garfo fure a massa em vários lugares . Forre com quatro papéis alumínio sobrepostos .
  • Asse por 15 minutos ou até firmar. Retire o papel , asse por mais 10 minutos ou até ficar levemente dourada. Reserve.

geleia de morango

  • No liquidificador, bata os morangos com as duas colheres de sopa de laranja.
  • Despeje o suco em uma panela, junte a pasta de morango, o açúcar e a pectina.
  • Leve à fervura por aproximadamente 10 minutos.
  • Reserve e deixe esfriar

ganache de chocolate

  • Prepare a ganache só depois da torta que  já estiver na geladeira com a geleia de morango.
  • Em uma panela, leve o creme de leite ao fogo até levantar fervura. Retire do fogo e junte o chocolate picados em pequenos pedaços. Mexa delicadamente até formar um creme.
  • Espere esfriar e adicione o licor de chocolate. Deixe esfriar. Reserve.

montagem

  • Despeje a geleia de morango em cima torta. Leve à geladeira para endurecer.
  • Coloque a ganache de chocolate já fria em cima da geleia de morango.
  • Enfeite com morango e polvilhe amêndoa moída.

Receita para comemorar o aniversário da pessoa mais generosa.

fevereiro 9, 2012

generosidade

Flávia é uma daquelas pessoas raras que vêm ao mundo para nos mostrar o significado da generosidade.

Espalha seus gestos valorosos por onde passa e compartilha sua abundância no perfume da casa limpinha, em promessas para preservar a saúde de quem ama, na comida farta.

Sua generosidade é bordada através de um sorriso fácil que enche a casa, do alimentar para mostrar seu afeto, do cuidar através do olhar.

Capaz de nos mostrar através do seu coração grande que o mundo é o lugar do mais:  mais cortesia,  mais amizade, mais alegria.

Revela  que servir é um ato de entrega e amor e não uma forma que deprecia.

Sem pesar e nem reservas divide o que há de mais precioso – sua presença!

Que a vida seja generosa e doce  com você, Flávia!

fevereiro 4, 2012

pastelzinho da minha mãe

rende 60 porções

ingredientes

massa
3 xícaras de leite
1 colher de sopa de manteiga
½ colher de sopa de sal
2 claras de ovo
3 xícaras de farinha de trigo
farinha de rosca para empanar

recheio
200g de creme de leite de caixinha
1 lata de milho verde
sal a gosto

jeito de fazer

massa

  • Em uma panela, leve ao fogo o leite, a margarina e o sal.
  • Deixe o leite começar a ferver e acrescente imediatamente a farinha de trigo até a massa com a consistência de angu.
  • Retire do fogo quando começar a soltar do fundo da panela.  Deixe esfriar um pouco.
  • Amasse até que a massa fique lisa sem nehum grominho.

recheio

  • Em uma panela, leve o creme de leite e o milho sem água em fogo médio, mexa delicadamente para misturar o milho totalmente com o creme. Retire do fogo quando começar a levantar fervura e reserve.
  • Tempere com sal a gosto.

montagem

  • Abra a massa com um rolo de macarrão com uma espessura nem muito fina, nem muito grossa.
  • Coloque o recheio e com ajuda de um copo ou um aro de alumínio pequeno corte o pastel.
  • Com a ajuda dos dedos, feche delicadamente o pastel.
  • Passe pela clara de ovo e depois na farinha de rosca.
  • Frite em óleo quente.

Pastelzinho Português com Creme de Leite e Milho Verde: Essa delícia foi preparada pelas mãos da minha mãe no ano novo aqui em casa. Congelamos e aos pouquinhos vou preparando para que demore acabar…
Hoje, em especial, preparei para comemorar o aniversário dela, que mesmo estando longe dos olhos está sempre perto do coração.

fevereiro 4, 2012

nas mãos de Marineusa

Nas mãos de Marineusa existe um quintal cheio de pés de frutas carregadas de promessas de uma vida feliz.
E uma cozinha afetiva onde impera um saber que cozinhar não é obrigação, é uma forma de amar os outros.
Tem, sempre, uma comida sendo preparada para simbolizar o bem querer, saudar as visitas, acalentar quem precise, fortificar o afeto.
Existem alegrias e tristezas sendo refogadas e transformadas em amor servido nos mais diversos pratos.
Tem um céu com quatro marias e um chão colorido de vermelho vivo e lustroso.
Existe o perfume do bolo, do pão e das rosquinhas pela casa seduzindo cada um que se aproxima.
Há roupas colocadas cuidadosamente na grama para quarar e absorver dos raios do sol a claridade necessária para encantar os olhos.
Tem a melodia da jovem guarda.
Tem o barulhinho da panela de pressão e o cheirinho de feijão anunciando o jantar.
Em suas mãos há o segredo de secar as vasilhas embaixo d’água: um bombril novinho, torneira aberta pela metade e Sabão Rio.
Na palma da mão de Marineusa tem sempre uma Receita de Domingo que antes de chegar às mãos passa pelo coração.
Tem uma delicadeza em forma oração capaz de alcançar quem precise.
Existe uma moça esguia de cabelos lisos com uma cacharrel preta.
Tem a linha da vida dividindo canteiros de salsa, couve-manteiga e cebolinha que emprestam um tom verde-esperança à horta e ao olhar.
Existe amor aos pedaços que inunda a casa com um aroma raro.
Em suas mãos cansadas e marcadas há uma tristeza fina, miúda capaz de se transformar em garra quando a vida lhe pede provas de vontade de viver.
Existe a alegria desenhada no sorriso cúmplice de uma avó apaixonada.
Há uma casinha pequenina com gramado bem cuidado e uma orquídea que anuncia a celebração do nascimento.
Existem rendinhas, paninhos e vontade de colorir a casa em matizes infinitos.

Em suas mãos, Marineusa, há uma vida inteira para ser vivida… intensamente.

Mãe, feliz vida intensa!

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